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Porquê uma maternidade em Timor

Porquê uma maternidade em Timor

  • Timor tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil
  • Principais causas deste problema
  • Parteiras Tradicionais
  • Recursos-Humanos na área de saúde materno infantil
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    Taxa de Mortalidade Infantil e Materna

    Timor-Leste: uma das maiores taxas de mortalidade infantil e materna da Ásia

    Timor-Leste dispõe de muito poucos recursos de assistência materno – infantil, de acordo com os dados do Ministério da Saúde timorense e dados da OMS:

    • 88 bebés morrem por cada 1.000 nascidos nados vivos (2006).
    • 660 mães morrem por cada 100.000 partos nascidos nados vivos (2000).
    • 4,7% dos nascidos nados vivos morrem.
    • Escasso número de médicos (74 em todo o país em 2004) pela conjuntura política, social e económica nas últimas décadas.
    • As enfermeiras parteiras têm uma formação base muito deficiente.
    • A taxa de mortalidade infantil até aos 5 anos é de 130 por cada 1.000 nascidos nado vivos - sendo as infecções respiratórias, diarreias e causas neonatais responsáveis por 75% das mortes. Quando morre uma mãe, pouco tempo depois morrem também os filhos com menos de 5 anos e a família acaba por se desagregar.
    • 1 em cada 16 mulheres em Timor-Leste morrem durante a gravidez.
    • 1 em 10 morre devido a complicações relacionadas com a gravidez e o parto.
    • 60 - 80% das mortes maternas são devidas a hemorragia obstétrica, sépsis (infecção), parto obstruído, hipertensão, complicações podem ser prevenidas ou passíveis de tratamentos.
    • A maioria das mortes maternas ocorrem em mulheres com gravidezes de risco, cerca de 20%.
    • Se possível identificar essas gravidezes e encaminhá-las para um centro especializado será então possível diminuir o número de mortes maternas a curto/médio prazo.

     

    PRINCIPAIS CAUSAS DESTE PROBLEMA:

     

    1. Cultura e Tradição

    • Recurso quase que exclusivo às parteiras tradicionais, excepto em casos dramáticos quando surgem complicações graves.
    • Hábitos culturais e crenças - por exemplo, tradicionalmente às puérperas só é permitido comer arroz, açafrão, gengibre para mascar e malos (uma das folhas que ajuda no processo de cicatrização) e aos recém-nascidos, não lhes é permitido mudar de roupa durante 40 dias. Durante este período, mãe e bebé ficam geralmente perto da lareira e não tomam banho.

     

    2. Falta de Assistência

    Falta de assistência, pré-natal e durante o parto - apenas 27% dos partos são assistidos por pessoas qualificadas e quando os partos acabam por acontecer na própria comunidade ou à beira do rio, é a própria mãe que corta o cordão umbilical do recém-nascido com bambu, o que aumenta o risco de todo o tipo de infecções.

     

    3. Fracas infra-estruturas rodoviárias

    73% da população vive em aldeias distantes do centro, não permitindo o diagnóstico das grávidas em risco, com o objectivo de as fazer chegar atempadamente a um centro especializado evitando assim os altos índices de morbilidade e mortalidade materna e neonatal (muitas vezes o tempo de chegada às cidades não é suficiente, ocorrendo muitas mortes).

     

    4. Poucos hospitas e médicos

    Em todo o país existem apenas 5 hospitais distritais (hospital Distrital de Maubisse; Hospital Distrital de Suai; Hospital Distrital de Mailana; Hospital Distrital de Bobonaro; Hospital Distrital de Viqueque) e um Hospital Central (Hospital Guido Valadares em Díli) e os médicos nacionais são em número muito reduzido.

     

    5. Fraca referênciação nacional

    Fraca referenciação necional devido à escassez de meios humanos e financeiros.

     

    6. Precária saúde reprodutiva

    Falta de cuidados básicos e de planeamento familiar - muitas gravidezes na idade da adolescência, falta de condições mínimas de saneamento básico e higiene.

     

    PARTEIRAS TRADICIONAIS

    De acordo com um estudo do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) em 2007, de um total de nascimentos de 42.923, apenas 27,2% dos partos foram acompanhados por técnicos de saúde. Os restantes 72,8% dos partos foram realizados no centro comunitário de saúde ou em casa assistidos/acompanhados por um familiar ou por uma parteira tradicional.

     

    Parteiras tradicionais

    • São mulheres que acompanham/assistem as mulheres durante o parto sem reconhecimento por parte dos técnicos de saúde;
    • São um elo/factor essencial/incontornável na cadeia dos cuidados de saúde materno-infantis pois uma vez que se encontram no seio da comunidade, são facilmente acessíveis e reconhecidas como interlocutores privilegiados pelas mulheres.
    • Algumas estão já a participar em acções de formação base pelo ICS, pela ESSCVP e outras organizações.

    A Maternidade-Escola Nossa Senhora de Fátima assegurará para a formação prática, as parteiras e/ou enfermeiras que tenham concluído a formação teórica com o ICS ou outras organizações.

     

    RECURSOS- HUMANOS NA ÁREA DE SAÚDE MATERNO INFANTIL

     

    Em Timor-Leste há muito poucos médicos, e muito poucos com formação adequada. As Enfermeiras-Parteiras têm também grandes necessidades de formação.
    São demasiado escassos para as necessidades do país, embora neste momento já se encontrem alguns a obter formação em Cuba, esperando-se começar a regressar no final de 2010. A Maternidade-Escola NS Fátima será fundamental para dar formação prática a estes novos médicos.

     

    Médicos
    Esta situação é particularmente dramática no caso de médicos e médicos especialistas. Actualmente existe apenas um médico por cada 4.000 habitantes sendo o objectivo do Ministério da Saúde dispor de um médico por cada 1.000 habitantes em 2015.
    Na área da saúde materno-infantil não existem médicos obstetras e ginecologistas locais sendo os partos e outros cuidados materno-infantis assegurados por médicos de outras especialidades e outros técnicos de saúde que ocorrem em Timor. Segundo fonte de informação local, 300/700 jovens médicos saíram do país para serem formados em Cuba e só iniciam o seu regresso no fim do 2010.

     

    Parteiras
    Em Timor as parteiras são recrutadas para trabalhar com gestantes na sua área específica e como prestadoras de cuidados de saúde primários – prevenção, promoção e cuidados curativos, directamente junto da comunidade, e em postos/centro saúde ou em meio hospitalar.
    Têm também um papel central na promoção de iniciativas de saúde sexual e reprodutiva junto das comunidades. Muitas parteiras trabalham sozinhas ou em meios isolados em zonas montanhosas rurais/remotas sem oportunidades ou enquadramento institucional/profissional para aprendizagem e melhoramento das práticas clínicas/de saúde. Este isolamento associado a uma falta de formação e actualização de conhecimento pode ter consequências dramáticas para a saúde de mulheres e crianças.
    Em 2004 o Instituto de Ciências da Saúde (ICS) deu início a um programa de formação de parteiras (co-financiado pelo IPAD) que pretende responder às necessidades crescentes destas profissionais de saúde em Timor-Leste. 95 parteiras foram formadas neste programa entre 2004-2007.
    Embora esteja previsto um estágio prático e um acompanhamento de “mentoring” após os módulos teóricos é muitas vezes difícil identificar instituições/serviços de saúde que possam acolher as futuras parteiras num contexto de boas práticas no que diz respeito a acompanhamento pré-natal, parto e pós-parto. Neste sentido, a Maternidade-Escola Nossa Senhora de Fátima dará resposta, recebendo as parteiras formadas para realização de estágios práticos.